Como não ser o cara repetitivo da Qualidade

cara chato

Na definição do título desse artigo pensei em colocar “Como não ser o cara CHATO e repetitivo da Qualidade” e logo me veio a memória: se você trabalha na área de Gestão da Qualidade é quase impossível não ser considerado chato por pelo menos uma meia dúzia de colaboradores (sendo bem humilde, rsrsrsrsrs). Então tirei o chato e focarei no “repetitivo”, para isso alguns artíficios podem ser utilizados.

 

Vai dizer que nunca foi recebido com uma dessas expressões abaixo, ao dar um treinamento, após fazer uma visita ou mesmo uma reunião sobre o Sistema de Gestão da Qualidade. Caso não, parabéns! Talvez você já tenha encontrado bons mecanismos para engajar seu pessoal aí OU eles alguns certamente estão fazendo isso pelas suas costas (risos).

 

Não somente na área de Gestão da Qualidade, mas se você atua em qualquer outra área em que haja a necessidade de desenvolver e envolver pessoas para implantar um sistema de gestão, uma nova tecnologia ou uma nova cultura (esse é o que requer mais tempo e, a depender do número de colaboadores de sua organização, este pode ser maior ou menor) você precisará treinar essas pessoas e, certamente, a depender da complexidade e do quão novo e diferente o processo é da realidade da organização, você precisará treinar o mesmo colaborador mais de uma vez sobre o mesmo tema.

Se sua organização utiliza a tecnologia na educação pemanente, por meio de gravação de treinamentos e diponibilização dos mesmos em alguma plataforma de fácil acesso aos colaboradores, por exemplo, ótimo! A empresa estará poupando horas de trabalho do colaborador, que precisará dar o treinamento apenas uma vez; este colaborador, por sua vez, irá ter mais tempo para analisar a eficácia e absorção do conteúdo dado e desenvolver melhorias; e os colaboradores poderão ter maior flexibilidade para assistir os treinamentos, já que os mesmos poderão ser acessados diretamente do seu departamento.

Mas, vamos considerar que nem todas organizações utilizam esse tipo de metodologia. Nestes casos os conhecimentos necessários para a implantação de um sistema de gestão, por exemplo, serão repassados em constantes treinamentos presenciais. E se você e sua equipe são os principais responsáveis por repassar esses conhecimentos, eu sei bem o que você está passando ou o que já deve ter passado.

“Você alguma vez já entrou na sala para realizar um treinamento e ao olhar para expressão de cansaço e desmotivação dos colaboradores presentes também perdeu seus estímulos? “
Se a sua resposta foi sim para a pergunta acima, “Don’t worry! Você não foi o único!” Mas, o quero trazer aqui é que você pode estar sendo o responsável pela permanência dessas expressões de quem “não ver a hora de acabar logo o treinamento”.

Você alguma vez preparou aquele treinamento com uns oitenta slides, passou as suas duas horas falando, falando, falando e saiu do treinamento sem ouvir nada do seu púbico, a não ser “tem lista de presença para assinar?”

Se você também respondeu sim para essa pergunta, eu confesso que também já fui desse time. Dedicava minhas horas na preparação de slides, no apronfundamento do conteúdo e na escolha das melhores imagens e vídeos para impactarem o meu ouvinte. Até que percebi que isso não estava sendo o suficiente. Os colaboradores que já chegavam cansados da sua rotina saiam ainda mais cansados e, o pior, sem absorver quase nada do conhecimento repassado e isso começou me incomodar. Sempre fui muito perfeccionistas nos treinamentos, os slides precisavam estar sempre impecáveis e me perguntava o porque de ainda existir essa lacuna.

Nos preocupamos tanto com os slides que esquecemos das pessoas! Estas deveriam ser o centro das nossas atenções e para quem a maior parte do nosso tempo deveria estar sendo dedicado.

Essa nova visão nos fez mudar toda metodologia de trabalho e treinamentos. O time começou a buscar como poderíamos tornar nossos treinamentos mais interativos, dinâmicos, lúdicos e PRAZEROS para quem participava. Acredito que esse momento foi o mais desafiador para minha criatividade. Não é fácil encontrar na literatura metodologias prontas ou ideias que se adequem a temas tão específicos, tais como: mapeamento de processos, indicadores, não conformidades, gestão de risco, dentre tantos outros.

Começamos a desenvolver nossas próprias dinâmicas e, muitas vezes, recorremos a artigos da infância para dar vida ao que colacamos no papel. E o resultado? Melhor não podia ser! Tiramos o colaborador da posição de ouvinte e o transformamos em construtor e colaborador do conhecimento (conjunto).

Quando alguém se sente parte de algo é muito provável que ele valorize mais e aprenda mais!

Ver a mudança de expressão das pessoas e perceber o estímulo das mesmas para participarem dos próximos treinamentos foram os principais pontos nas nossas análises de reação pós treinamento. Mas, o mais impactante foi o nível de absorção de conhecimento. Quando as pessoas se envolvem, quando elas são desafiadas a solucionar problemas ou a quando elas “colocam a mão na massa” dentro do treinamento é muito mais fácil atingir o objetivo do treinamento. E o objetivo de qualquer treinamento é se fazer entender. É fazer com que aquilo tudo que você está falando faça sentido para quem escuta.

Precisamos parar de achar que treinamento bom é aquele que a gente fala difícil para mostrar que temos domínio sobre o assunto. Linguagem técnica demais, a depender do seu público (é claro) pode tornar seu treinamento chato.

 

Diante desse cenário, se eu puder terminar esse artigo com um conselho será: “Não tenha medo de arriscar em seus treinamentos. A rotina as vezes já é tão engessada que um treinamento que tire os colaboradores das caixinhas pode funcionar melhor do que você imagina”.

 

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